O Poder da Adaptação
- Nov 21, 2022
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Aos 26 anos de idade eu perdi minhas mãos em um acidente, um choque elétrico de 13.800 volts.
Tenta imaginar como seria se você acordasse amanhã e não tivesse suas duas mãos. Como você faria para se adaptar a essa nova realidade?
Foi o que aconteceu comigo e eu tive que me reinventar, me adaptar a cada situação e é sobre isso que eu falar, o poder da Adaptação.

Quando voltei pra casa após amputar as minhas duas mãos e depois de dois meses e meio no hospital, eu aos poucos comecei a tentar fazer algumas coisas normais do dia a dia e foi só aí que eu percebi o tamanho da dificuldade que minha vida tinha se tornado.
Logo no primeiro dia eu tentei beber um copo d’água sozinho e eu não consegui segurar o copo direto que acabou escorregando e caindo. Eu me senti tão triste quando percebi que eu não conseguia nem mesmo beber um copo d’água sozinho.
Daquele dia em diante foi ficando cada vez pior, eu fui aos poucos descobrindo que as pequenas tarefas do dia a dia se tornaram grandes desafios.

A primeira atitude dos meus pais foi adaptar a casa toda, tudo o que eu iria usar precisava de algum tipo de adaptação, o que foi tornando meu dia a dia cada vez mais autônomo, eu já conseguia passar grande parte do meu dia sem pedir ajuda para os meus familiares, o que já foi uma grande vitória, mas o problema era quando eu saía de casa, aí todas as limitações voltavam, sem um lugar adaptado eu não conseguia ter a mesma autonomia o que acabou me levando a querer sair cada vez menos e ficar só na dentro de casa me levou ladeira abaixo rumo a depressão. Eu não arriscava ir para lugares onde eu precisaria de ajuda, até que eu tive a ideia de ir morar sozinho, sair da casa dos meus pais e ter meu próprio lugar. Foi uma surpresa para todos mas eu consegui convencê-los que seria melhor assim. Mas quando eles disseram que iriam me ajudar a adaptar a casa toda para que eu ficasse bem confortável, eu eu percebi claramente o que eu precisava fazer. Eu disse pra eles que não iria colocar nenhuma adaptação por enquanto, por que eu queria tentar achar formas de me adaptar ao invés de adaptar o lugar e isso fez toda diferença.
Decidir adaptar a mim mesmo e foi a decisão mais importante que eu tive na minha vida, mudou toda a forma como eu olhava para o mundo, tudo agora era um desafio que eu estava disposto a dedicar o tempo que fosse preciso para conseguir fazer, não importa quantas formas diferentes ou quantas vezes eu vou ter que tentar novamente até conseguir.

E foi assim que eu descobri o tesouro que está por traz de cada desafio ou obstáculo que a gente enfrenta, o aprendizado e a satisfação pessoal que vem quando a gente finalmente consegue, não tem preço.
Eu comecei a tentar fazer pequenas coisas como me vestir e escovar os dentes, pequenos prato só pra não morrer de fome e de uma forma bem simples eu evolui ao ponto de fazer aquele arroz com feijão e mistura que eu comia na casa da minha mãe. Da comida a varrer a casa, a chave era só achar o jeito certo de usar os cotovelos para segurar as coisas. Eu comecei a fazer tudo, lavar minha roupa, no tanque, sem máquina de lavar, cuidar do jardim, dirigir, quando eu percebi eu estava viajando pelo mundo como atleta, indo para hotéis, aeroportos e restaurantes, sem me sentir intimidado pelos olhares e comentários, pelo contrário eu passei a não me importar se alguém estava me olhando, eu comecei a achar oportunidades de conhecer essas pessoas e muitas vezes quebrar preconceitos e paradigmas com deficientes físicos.
A Adaptação começou na minha mente, na forma que eu passei a olhar para os desafios da minha vida e a paciência aliada a perseverança foram fundamentais para a volta por cima desse acidente.

Hoje eu busco novos desafios e até agora continuo aprimorando a maneira como eu faço para beber um simples copo d’água e quando eu descubro uma forma melhor de fazer algo é como se eu tivesse mais uma vez vencido a batalha.



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